Bacilos gram negativos não fermentadores (BGN-NF)
Os bacilos Gram-negativos não fermentadores (BGNNF) constituem um
grupo extremamente diverso, são estritamente aeróbios, não esporulados e se
caracterizam pelo fato de serem incapazes de utilizar carboidratos como fonte
de energia por meio de fermentação, degradando-os pela via oxidativa
As
infecções por BGNNF aumentaram no grau de importância em instituições
hospitalares a partir da década de 1970, tendo como principais representantes Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter spp.,
Stenotrophomonas maltophilia e Burkholderia cepacia. Além disso, esses não
fermentadores vêm apresentando sensibilidade diminuída a um grande número de
fármacos.
Essas infecções têm origem endógena ou
exógena, dependendo de diversos fatores, como uso de substâncias imunossupressoras,
utilização abusiva de agentes antimicrobianos de amplo espectro, procedimentos
cirúrgicos prolongados e instrumentação mecânica inadequada. Esses
microrganismos estão relacionados predominantemente com infecções hospitalares.
Devido
à baixa atividade metabólica, em relação ás enterobactérias, a identificação bioquímica
torna-se mais complexa, portanto as características morfológicas, macroscópicas
e microscópicas são ferramentas auxiliares fundamentais durante o processo de
identificação.
TOP
5 BACTÉRIAS BGNNF
Aspectos da bactéria baciliforme
Pseudomonas aeruginosa (P. aeruginosa)
São
bacilos gram-negativos aeróbio estrito, não-esporulado, geralmente móveis,
retos ou ligeiramente curvados, dispostos em pares, não utiliza carboidrato
como fonte de energia pela fermentação, mas apenas pela via da oxidase. Seu
crescimento ocorre em temperatura de 37ºC, no entanto, pode apresentar
crescimento em temperaturas que variam de 5ºC a 42ºC. É encontrada na água,
solo, plantas e alguns animais. Importante patógeno para infecções do trato
urinário, do sistema respiratório causando pneumonias, infeções de pele como
foliculites, dermatites e de tecidos moles, infecções sistêmicas, ósseas,
oftalmológicas.
Aspectos da bactéria
aeróbia Gram-negativa Acinetobacter baumannii (A. baumannii)
Estes microrganismos pertencem à família Moraxellaceae, sua morfologia os classifica em cocobacilos Gram-negativos, não esporulados, e que realizam movimentos de contração por apresentarem fímbrias polares. Possuem um metabolismo não fermentador, crescem em temperaturas de 33 a 35ºC. Assim, a A. baumannii pode crescer em 42ºC, o que as outras espécies não conseguem, apresentam colônias com coloração levemente rosa pela pouca oxidação de lactose, convexas, translúcidas e opacas e com positividade na catalase e negatividade na oxidase, sem motilidade.
São considerados importantes patógenos oportunistas em infecções hospitalares da UTI . Assim, a A. baumannii se destaca como um dos importantes patógenos nosocomiais gram-negativos que é resistente a múltiplas drogas, podendo ser a espécie mais comum do gênero. Pode ser responsável por muitas infecções graves, como pneumonia, sepse, bacteremia, meningite, do trato urinário, de tecidos moles e infecções de feridas, podendo diversos fatores levarem à colonização por este patógeno, como internação prolongada, procedimentos pós-cirúrgicos, tratamento prévio com antimicrobianos de amplo espectro e internação na UTI.
Aspectos da bactéria Stenotrophomonas maltophilia (S. maltophilia)
São microrganismos aeróbicos, não fermentadores da glicose, porém oxidam a glicose e maltose, classificados como bacilos Gram-negativos de tamanho ligeiramente menor que das outras espécies do gênero Stenotrophomonas, móveis com o auxílio dos flagelos polares e apresentam colônias pigmentadas de cor amarela no meio ágar MacConkey, são catalase-positiva, normalmente oxidase-negativa, característica distintiva com o gênero, e lisina descarboxilase, são isolados frequentemente do solo, água, animais e vegetais.
É um patógeno incomum em causar infecções em imunocompetentes, porém se destaca em infecções nosocomiais, podendo causar mortalidade que varia de 14% a 69% em pacientes com bacteremia, principalmente de imunocomprometidos, perdendo apenas para P. aeruginosa e A. baumannii. Pode causar pneumonias, bacteremias, infecções de pele e tecidos moles, infecções no trato urinário, endocardites, infecções intra-abdominais, meningites, síndromes oftalmológicas e sinusites.
Aspectos da bactéria
Pseudomonas putida
A Pseudomonas putida é uma bactéria gram-negativa, em forma cilíndrica, da família Pseudomonadaceae. A Pseudomonas putida causa um aumento da infeção nosocomial, incluindo em pacientes de cuidados intensivos e em caso de imunodeficiência. As seguintes doenças podem ser causadas por este agente patogénico:
- Infeções de feridas
- Pneumonia
- Infeções do trato urinário
- Infeções da pele
- Meningite
- Sépsis
A Pseudomonas putida está
distribuída de forma ubíqua no solo, na água, nas plantas e nos animais. A
bactéria é uma formadora de biofilme. A Pseudomonas
putida apresenta elevadas taxas de resistência, até
multirresistência, a beta-lactâmicos, carbapenemes e aminoglicosídeos, entre
outros.
Aspectos da bactéria Burkholderia cepacia (B.cepacia)
A Burkholderia cepacia é uma bactéria que pode ser encontrada
em vários ambientes, como solo e água. Ela é conhecida por ser uma patógena
oportunista, ou seja, pode causar infecções em pessoas com o sistema imunológico
comprometido ou com doenças pulmonares crônicas, como a fibrose cística. Essa
bactéria é notável pela sua resistência a muitos antibióticos, o que dificulta
o tratamento das infecções que causa.
O que são bacilos Gram-negativos não
fermentadores?
Quais são os exemplos comuns de bacilos
Gram-negativos não fermentadores?
Quais são as infecções mais comuns
causadas por bacilos Gram-negativos não fermentadores?
Como os bacilos Gram-negativos não
fermentadores são identificados em laboratório?
Quais
são as implicações clínicas das infecções por Acinetobacter baumannii
multirresistente?
Como as infecções por bacilos
Gram-negativos não fermentadores podem ser prevenidas em ambientes
hospitalares?
Referências
Como
Relatar os Resultados para Bacilos Gram-negativos não fermentadores (BGNNF)
quando não há pontos de corte. [s.l: s.n.]. Disponível em:
<https://brcast.org.br/wpcontent/uploads/2022/08/BrCASTMicroorgsenpontosdecortedefinidoscomorelatar.pdf>.
IER, K. E. S. et al. Temporal evolution of carbapenem resistant
Acinetobacter baumannii in Curitiba, southern razil. Am J Infect Control,
n. 38, p. 308-14, 2010.
NOUÉR, S. A. Aspectos clínicos e fatores de risco
relacionados com colonização ou infecção por Pseudomonas aeruginosa
multirresistente. 2007. 144 f. Tese (Doutorado em Medicina) – Programa de
PósGraduação em Medicina, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de
Janeiro, 2007.




Comentários
Postar um comentário